Política

A ditadura de Toga e o apoio da grande mídia

Jornalista, neto de um dos fundadores do Estadão, criticou incisivamente a posição favorável do jornal ao totalitarismo do STF

Nos últimos meses temos assistido aos desdobramentos do inquérito kafkiano do Supremo Tribunal Federal, intitulado de “inquérito das Fake News”, que já bateu recorde de violações contra os investigados, ou melhor, perseguidos, alvos de busca e apreensão, quebra de sigilo bancário, prisão e bloqueio das redes sociais em nível mundial, tudo isso por tecerem críticas aos Ministros que compõem o STF, algo inconcebível para uma democracia representativa, cujo papel da suprema corte deveria ser o de guardião da constituição, e não o de violador, visto que o direito à liberdade de expressão (art. 5º, IV da Constituição Federal) é um direito fundamental, corolário da dignidade da pessoa humana e do Estado Democrático de Direito.

O AI-5 do Judiciário

“Acuse os adversários do que você faz, chame-os do que você é”, este é o enredo do distópico inquérito presidido por Alexandre de Moraes, cuja incongruência é apontada com maestria pelo jurista Modesto Carvalhosa em entrevista à revista Oeste.:

O Supremo Tribunal Federal critica o pessoal que quer o AI-5 — aliás, com toda a razão, porque ninguém pode querer o AI-5 —, mas eles, pela portaria 69 [que deu origem ao inquérito das fake news], instituíram o AI-5 no Brasil.

Onde está o quarto poder da República?

O jornalista Fernão Dias Mesquita, neto de Júlio de Mesquita Filho, um dos fundadores do jornal O Estado de S. Paulo, em artigo publicado ontem, 04 de agosto, sob o título: “Eu sou da velha guarda”, criticou incisivamente a publicação do editorial do Estadão em O papel da AGU”, no qual o jornal toma posição a favor da censura e prisão de ativistas, youtubers e jornalistas, decretada por Alexandre de Moraes:

Como meu sobrenome continua sendo confundido com as opiniões deste jornal pelas quais sou frequentemente cobrado, recordo aos leitores do presente e aos historiadores do futuro que desde a morte de Ruy Mesquita em maio de 2013 nenhuma linha do que O Estado de S. Paulo publica tem orientação direta ou indireta de qualquer membro da familia (sic) Mesquita, com exceção dos artigos assinados eventualmente publicados nesta página reservada às que “não refletem as opiniões do jornal” {…}.

Os anões morais têm especial predileção pela censura. Veremos como o mundo enfrenta a megalomania do nosso e que outro método de intimidação, com todo o peso do Leviatã brasileiro, usará para manter calados uma menina meio tresloucada que gosta de tatuagens e mais dois ou três blogueiros e jornalistas. Seja como for, é uma briga desproporcional o bastante para dispensar a ajuda da imprensa que, ao disputar para apontar ao inquisidor os meios que essas temíveis “ameaças ao estado democrático de direito” encontram para driblar os cala-bocas impostos, assanha-lhe os piores instintos.

Já vi esse filme antes. Júlio de Mesquita Filho, meu avô, foi preso 17 vezes e exilado duas pelo Alexandre de Moraes de seu tempo que também era fascista e também se tornou herói da esquerda brasileira (os radicais sempre foram gêmeos idênticos). E não parou nisso como também não vai parar o de hoje {…}.

As tiranias se instalam quando o Estado consegue deter pela força o livre fluxo das idéias (sic). As tiranias desmoronam quando a informação volta a circular. Continuo tendo horror à censura. E certeza absoluta da sua malignidade. Fosse por mim este jornal estaria como sempre: contratando os jornalistas “cancelados” e dando guarida a todo e qualquer perseguido político.

Como será no futuro?

Segundo Joseph Pulitzer, criador do jornalismo moderno:


“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”.

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Adriano de Oliveira Barros

"Liberal Conservador", graduado em Administração de Empresas, possui extensão em Relações Internacionais e Planejamento Estratégico orientado ao setor público. Apaixonado por Filosofia, História, Música e Literatura. "Si hortum in biblioteca habes deerit nihil".

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