Política

Bolsonaro em Davos e a manipulação da mídia

"O presidente destacou que o país estava, há pouco, flertando com a esquerda, mas que a população decidiu que não quer mais o populismo, nem o comunismo"

E ontem (22), após discursar na abertura da sessão plenária do Fórum Econômico Mundial em Davos – Suiça, que durou cerca de sete minutos, onde o presidente brasileiro exaltou o combate à corrupção e ratificou o compromisso de abertura da economia brasileira para o mercado internacional e respondeu algumas perguntas de Klaus Schwab, presidente do evento. Foi um discurso coeso e coerente, que visou mostrar que o Brasil deixa para trás um passado de Capitalismo de Estado para rumar ao Livre Mercado.

Bolsonaro, acompanhado de seu assessor internacional, Filipe G. Martins, a convite de klaus Schwab, discursou e participou de um jantar com grandes líderes empresariais e chefes de estado, derrubando a narrativa de muitos órgãos de imprensa que “noticiavam” que o presidente brasileiro estava “isolado” em Davos. Entre os presentes estavam Tim Cook – CEO de Apple, Satya Nadella – diretor executivo da Microsoft , a família real da Bélgica, o Presidente da Suíça, Ueli Maurer, a rainha Rania, da Jordânia e a primeira ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern. Em uma de suas falas antes do jantar, Bolsonaro arrancou risadas dos presentes ao mencionar que ali havia 23 trilhões de dólares. “O Brasil só precisa de 10% disso.” O presidente destacou que o país estava, há pouco, flertando com a esquerda, mas que a população decidiu que não quer mais o populismo, nem o comunismo.

A manipulação da mídia

A maneira “tendenciosa” ao abordar a presença de Bolsonaro na Suíça e os reflexos de seu discurso no Fórum em questão ficou claro na manchete do El País, que sofreu modificações da versão original veiculada na Espanha com relação a que foi “estampada” no site do jornal no Brasil.

É o mesmo jornal, a mesma fonte e o mesmo conteúdo no corpo da matéria, mas com a modificação do título da notícia, automaticamente o leitor passa a receber a informação de uma maneira diferente.

Essa estratégia é muito utilizada pela mídia, pois seu efeito principal não está conectada com a quantidade de informações que são transmitidas, mas sim na ênfase de contexto, que gera um efeito cumulativo e convergente no público ao longo do tempo.

Segundo Patrick Charaudeau, linguista francês, especialista em análise do discurso, a manipulação das notícias, ocorre no ambiente interno dos órgãos de mídia, especialmente na redação e na geração de conteúdo. “É neste lugar em que se decide o que deve aparecer mais visível ou menos, além da forma como será dada a notícia. Sendo que o sentido só é perceptível através de formas, havendo, portanto, uma solidariedade recíproca entre forma e sentido.”

Embora o volume de dados que o “homem” absorve hoje seja gigantesco, onde uma só edição do jornal americano The New York Times contém mais informações do que uma pessoa comum recebia durante toda a sua vida há 300 anos atrás – dados da revista Veja, edição de 05 de setembro de 2001, a tecnologia por si só não faz com que sejamos bem informados; na prática, o efeito acaba sendo até o contrário, pois a saturação de informação acaba levando muitas pessoas a se limitarem apenas na leitura de um conjunto de notícias que formam um jogo de “narrativas”. Logo, diante de tanta manipulação, é mais do que necessário que o leitor seja crítico com o conteúdo que está consumindo, caso contrário, será cooptado facilmente pelo aparato midiático, pois “a massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa” – George Orwell.

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Adriano de Oliveira Barros

Graduado em Administração de Empresas pela Universidade de Franca, politicamente incorreto, articulista, apaixonado por música, filosofia e política.

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