Política

Cidade de São Paulo caminha para o “efeito cobra”

Rodízio de veículos adotado por Bruno Covas em São Paulo trouxe grandes transtornos a população

Em publicação desta última segunda-feira, 11/05/2020, em sua coluna no Portal R7, a jornalista Patrícia Lages fez uma analogia entre os efeitos das medidas do novo rodízio de veículos implementadas pelo Prefeito de São Paulo – Bruno Covas com a anedota que teria ocorrido na cidade de Delhi, quando a Índia era colônia do Império Britânico. 

“Houve uma infestação de cobras venenosas que preocupou as autoridades. Como tentativa de resolver o problema, o governo decidiu recompensar qualquer pessoa que matasse as víboras. Parecia uma solução plausível, afinal, não seria necessária a contratação de pessoal e nem grandes movimentações ou gastos por parte do governo.

A princípio, a decisão se mostrou eficiente com um alto número de cobras eliminadas pela própria população. Porém, diante da diminuição do número de serpentes e, portanto, da renda que trouxeram à população, muita gente começou a criar cobras para continuar recebendo a recompensa. Ao perceber a manobra, o governo britânico suspendeu o programa e a consequência foi pior do que o problema original. Desmotivada, a população soltou suas cobras e o número de víboras nas ruas se tornou ainda maior do que antes.” Explica a jornalista.

Um incidente parecido ocorreu na cidade de HanóiVietnã, colônia  Francesa á época. O regime colonial criou um programa de recompensas cujo alvo era a eliminação dos ratos que infestavam a cidade. 

Para receber o embolso por cada rato morto o método adotado era a apresentação do rabo do roedor decepado. Contudo, depois de certo tempo, funcionários coloniais começaram a notar a existência de muitos ratos vivos, mas agora sem suas caudas, visto que os coletores para manter seus rendimentos os capturavam, tiravam a cauda, e soltavam de volta nos esgotos, a fim de que se procriassem.

O decreto do prefeito Bruno Covas simboliza com maestria aquilo que no jargão econômico ficou conhecido como “efeito cobra”, que acontece quando a tentativa de solução para um problema na realidade o agrava ainda mais, como nos casos mencionados anteriormente.

 A severa restrição da circulação de veículos imposta pelo prefeito Tucano fez com que a população se visse obrigada a recorrer a táxis, transportes por aplicativos, caronas e, em sua grande maioria ao transporte público, (ônibus, trem e metrô) onde a proliferação do vírus tem muito mais chances de se disseminar do que com o cidadão circulando em seu próprio veículo, onde estaria mais seguro. 

É simplesmente inacreditável pensar que um “estadista” a frente de uma das maiores cidades do muno conjecturasse que o resultado deste plano poderia ser outro senão o fracasso. 

No mês passado, em entrevista coletiva convocada pelo governo do estado para tratar sobre as ações de enfrentamento ao covid-19, Bruno Covas deu a seguinte declaração: “seguimos a linha da ciência, da razão, que mostra que essa é a forma de se combater essa pandemia. ” 

A pergunta que fica é qual linha da ciência e da razão o social democrata se refere. Acho que um pouco de lógica aristotélica lhe cairia muito bem.

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Adriano de Oliveira Barros

"Liberal Conservador", graduado em Administração de Empresas com extensão em Relações Internacionais e Planejamento Estratégico orientado ao setor público. Apaixonado por Filosofia, Ciência Política, História e Música. "Si hortum in biblioteca habes deerit nihil".

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